Sobremaneira

Os portugueses às vezes irritam-me... sobremaneira (obrigado Rita por teres ressuscitado esta palavra no meu nublado cérebro). É incompreensível, para mim que estou um pouco de fora, assistir àquilo que vos faz mexer ou manifestar. Ou estou desfasado ou estão vocês... dois ou três exemplos atiram-me aos arames e estão presentes hoje na página inicial do Público.

Sei que a situação dos canídeos em Portugal nunca foi das melhores. As autoridades municipais não têm recursos para tomar conta dos vadios de uma maneira apropriada (que alguns gostariam de chamar "humana") e não há instituições de caridade com poder económico para substituir ou suplantar a acção das autarquias. Assim críticas se fazem injustamente, apodando canis municipais com referências hitlerianas.

Mas 30.000!!!! pessoas? Por um cão que matou uma criança? A argumentar que não é o cão que mata mas o dono que não educa? Onde é que já ouvi isto? Ah já me lembro! A National Rifle Association e mais recentemente, alguns lobbyistas americanos que adoram ter metralhadoras de todos os tipos e feitios, porque não são estas que matam, como está perfeitamente demonstrado na escola de Sandy Hook.

30.000?!!!! E sem dúvida menos de 1% deste número de pessoas (e nenhum destes 30.000) estiveram presentes no funeral da criança. Tenham vergonha!

e de seguida...

31!!! Cidadãos entregam providência cautelar para tentar travar fecho da Maternidade Alfredo da Costa onde eu nasci. 0,1% daqueles que estão mais preocupados com um cão, do que com crianças que irão nascer, talvez para morrer mais tarde de um modo horrífico, mordidas e transformadas em hamburguer pelos dentes de um pitbull.

e para bingo...

Propostas do FMI tiram abono de família a 280.000 portugueses. Ninguém! Zero! Deserto. Talvez este número signifique que as pessoas que gritam mais alto por cães e duodécimos não fazem parte deste grupo!

Ah esquecia-me desta...

Samsung retira vídeos polémicos e pede desculpa... desculpa porquê? Porque a Pepa Xavier gosta de Chanel e Louis Vuitton? e porque não? são objectos de desejo para muitos, e no caso dela, nem é desejo... é realidade e posse. Tivesse sido a Apple e o iPhone e moita, nem um sussurro! Mas não... muito ressabiados, pelo menos 30.000 portugueses (serão os mesmos porventura), manifestam-se contra esta campanha. Não estou a ver no entanto, nenhum de vós a atirar tijolos contra a montra da Louis Vuitton ou a incendiar o stand da Aston Martin! Ressabiados sim... mas pensam, com prudência e esperança "quem sabe talvez amanhã eu tenha taco para comprar uma mala ou um DB7!!!"

Não sei porquê mas todas as notícias de hoje na página inicial do Público, sem excepção, me irritam cada vez mais... sobremaneira!

Comentários

  1. És mesmo burro! Só podes ser PSD ou CDS.

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    1. Oh meu Caro Anónimo, a Burrice como tu tão bem demonstras é totalmente apartidária.

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  2. obrigada, pelos seus comentários, começava a pensar que o problema era meu!30 mil pessoas em defesa de um cão que matou uma criança e nem uma que apresente uma proposta decente para se evitar que outras morram nas mesas condições!!! deve estar tudo doido!

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    1. É como diz... está tudo doido! ;) onde é que está a página do facebook da criança que morreu? Com fotos? Não. É mais importante discutir malas... e Pépas.

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  3. Eu sou o Joao PC, nao estou anonimo!
    Paulo, acertas na mouche, como sempre!
    Ja nao se aguentam os 'portugas' nem a 'portuguesice'!!!!
    Nao diz nada Portugal ter 9 milhoes de habitantes e 15 milhoes de emigrantes?
    Pois, quer eu quer o Paulo somos 2 ilustres exemplos!!!

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  4. Há alguma coisa de muito errado nas prioridades e nos valores da nossa sociedade, sim.
    Eu fiquei catatónica quando vi a quantidade de pessoas que se deu ao trabalho de se mobilizar por um CÃO que matou uma PESSOA.

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  5. Nem mais.... Anda tudo com a cabeça trocada. Hoje ng pode desejar nada que não saia de uma loja de chines, porque é crime. Temos que ser todos pobres e tristes. Assim anda Portugal.

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  6. Que post tão ridiculo...
    Se calhar se fosse uma pessoa a matar outra já achava bem que houvesse 30 mil pessoas contra a pena de morte para o assassino. Mas como é um cão matem-no. Este país é uma tristeza em relação ao assunto animais.
    Podemos ver um homem a torturar um cavalo à nossa frente e chamar as autoridades e o que eles nos dirão, simplesmente, é que nada podem fazer. Mas se for um animal a matar uma pessoa então matem-no.
    O que este país precisa é DIREITOS PARA OS ANIMAIS e aí sim, quando eles tiverem direitos, prenunciem-se sobre estes assuntos.
    Isto é um país de amorfos. Acham que em Inglaterra isto acontece? Um país culturalmente muito mais avançado, com leis para a defesa dos animais. Não se vê UM animal abandonado em Londres. Este país devia era seguir o exemplo dos grandes.

    E poupe-me estes posts como se fosse tudo bons samaritanos a defender uma criança. Não sou insensivel e claro que a situação de morte de uma criança me preocupa e muito. Mas não vejo ninguém preocupar-se com os que matam os animais. Ou os torturam. Ou os deixam presos em espaços de 2 metros quadrados uma vida inteira. Ou os abandonam.

    Que tristeza, a sério.

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    1. Ridículo... só cartas de Amor. E acrescento, a ignorância é muito atrevida. Em Inglaterra qualquer cão que tenha matado é imediatamente destruído independentemente da raça. É acrescentada carga criminal ao dono se a raça for ilegal. Na via pública qualquer cão que morda um transeunte só não será destruído imediatamente, independetemente da raça, se a vítima o solicitar. Já aconteceu comigo! Cão que morde uma morde mais! O mesmo se aplica a cavalos ou outros animais domésticos que causem morte por meios físicos, coices, marradas, cornadas, dentadas... são destruídos sem apelo.
      Quanto a animais abandonados há em todo o lado. Em Londres, em Manchester,em Edinburgo. São é apanhados imediatamente por serem considerados um perigo para a população. E são destruídos.
      Países avançados... hmmm, são as pessoas que fazem os países avançados. No seu caso proponho ir a Inglaterra uns dias pois estou a ver que precisa de todo o "avanço" que puder arranjar.
      http://www.defra.gov.uk/wildlife-pets/pets/dangerous/
      https://www.rspca.org.uk/donate/online

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  7. ...mas aqui o dono deste blogue também deu muita importância ao fenomeno.não deveria também gastar mais tempo com aquilo que acha deveras importante? Por exemplo as medidas do FMI... se reagiram zero, também não o fez... ana monteiro

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    1. Oh Ana Monteiro, não sou dono de nada, se fosse este blogue poderia transformar-se num cão descontrolado a morder toda a gente e ser abatido de imediato. Só sou dono das minhas ideias quando as não partilho, depois são de toda gente. Ser dono é muita responsabilidade, até de si mesmo. Dei importância a três coisas que a não têm e que transformaram a "sociedade" portuguesa (pelo menos aquela com FB, Smartphone e Twitter) neste dia, numa ridícula exibição intelectual. O FMI já volta daqui a pouco "num cinema perto de si" fique descansada e não se vai embora tão cedo. E pelas discussões a que assisti hoje nem é preciso explicar porquê.

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  8. Olá, Paulo!

    Obrigada pelo comentário que colocaste ontem na minha mensagem no FB.

    Vivo rodeada de Cães da Serra da Estrela, uma raça de carácter dominante que durante vários anos criei, de forma ética e com bases técnicas, com vista à preservação da raça (património nacional) e controle de doenças e problemas hereditários.

    Uma das minhas principais preocupações enquanto criadora era encontrar donos adequados para os cachorros que criava. Várias vezes recusei vender, a pessoas que não davam garantias de poder proporcionar condições e uma educação apropriadas. Um Serra da Estrela, que desenvolvido no ambiente adequado é um cão protector mas equilibrado (que só morderá como último recurso, para defender duma ameaça real o dono ou a si próprio), nas mãos de donos indulgentes poderá assumir a liderança da "matilha" humana e morder a quaisquer estranhos, porque se sente no "dever" de proteger. Isto é inadmissível - tal como o é que se promova, nas mais diversas instâncias, a venda de qualquer cão a qualquer pessoa. Um cão é como um carro, Paulo, que mal conduzido pode matar pessoas. Os meus cães impõem respeito a quem passa na minha rua, porque são guardas poderosos e temíveis - mas quando eu deixo as visitas entrar, sejam elas quem forem, todos eles as recebem afavelmente, porque foram educados nesse sentido. São excelentes guardas mas têm um comportamento social irrepreensível (bom, ladram um bocado demais...). Todavia, se eu os tivesse colocado nas mãos de pessoas benevolentes e incapazes de os disciplinar, não sei do que seriam capazes.

    Poderás responder-me que não se pode comparar o carácter do Serra da Estrela ao do pitbull - que, devo referir, não é uma raça, mas o nome genérico dado a um grupo de raças com traços comuns: foram criadas pelo homem como animais de luta. Têm instinto de presa muito forte, mandíbula poderosíssima e inspiram, no mínimo, muito respeito. Devo no entanto dizer que, ao longo dos vários anos em que fui criadora, proprietária de lojas de produtos para animais e frequentei exposições caninas, conheci muitos exemplares destas raças e doutras mal-afamadas, como o Rottweiller, quase todos extremamente dóceis e meigos. Este tipo de animal, entregue a quem saiba educá-lo, será equilibrado e não causará problemas.

    Tenho abordado muitas vezes esta temática e procurado alertar para a necessidade de tomar medidas que respondam de facto a este problema dramático. As que têm sido postas em prática são cosmética e revelam ignorância relativamente ao comportamento animal - basta lembrar que, há uns anos, em Itália, o Serra da Estrela e outras raças portuguesas foram parar a uma lista de raças consideradas agressivas!!! Matar os cães que mordem não vai impedir que outros cães venham a atacar pessoas. Chamar assassinos aos donos dos cães (como muitas vezes se lê, aqui e ali), presumindo que todos eles são rufias que ensinam os animais a atacar, é não saber que o grande problema (que não é controlável por leis restritivas à posse de certas raças por determinado perfil de pessoas) está no facto de muitos dos donos de cães que mordem não serem violentos, não tratarem mal os animais: muitas vezes mimam-nos excessivamente, tratam-nos como se fossem humanos, não sabem controlá-los, tal como não sabem aos próprios filhos; só que, ao contrário duma criança mal educada por excesso de mimo, que na maioria dos caos tenderá a tornar-se num adulto petulante mas provavelmente não sairá pela rua aos tiros, um cachorro mal educado tornar-se-á um cão que tenderá a morder.

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  9. Ao contrário do que refere uma das pessoas que comentaram a tua mensagem, há quem proponha medidas. Sou uma dessas pessoas e tenho escrito e manifestado publicamente a minha opinião (inclusive numa participação que tive no programa da RTP2 Sociedade Civil). É preciso rever todo o conceito de canicultura, que está transformado numa prática predominantemente virada para o lucro e não para aquele que deveria ser o seu objectivo, a preservação e melhoramento das raças caninas; é preciso mudar a mentalidade dos criadores e dos clubes de canicultura a que presidem, mas também dos treinadores, muitos dos quais têm práticas violentas, dos candidatos a donos, que compram cachorros como se comprassem objectos, dos pseudo-jornalistas que proliferam em revistas e portais sobre animais, que frequentemente instigam a compra desinformada. É um trabalho em rede, de longo fôlego, que parte, como todas as bases da nossa sociedade, da educação. É claro que dá muito mais trabalho do que abater cães ou do que redigir e fazer aprovar algumas leis idiotas. Mas é o único garante de se conseguir restabelecer o equilíbrio nas relações, cada vez mais afectadas, entre humanos e cães. No prazo de dez anos, vi alterar-se radicalmente o comportamento dos transeuntes quando passeio os meus cães de grande porte e ar dócil: dantes, corriam para acariciá-los; agora, atravessam para o outro lado da rua, atemorizados. Nesta década, esquecemo-nos da expressão com que sempre os designámos: o melhor amigo do homem. O amigo que faz companhia, que protege, que brinca, que salva vidas, que detecta cancros, que permanece ao nosso lado quando toda a gente nos abandona. O medo que se apodera de nós faz-nos esquecer essa amizade secular. Temos de recuperá-la. É uma das minhas lutas. Travei-a, como criadora, nos meandros da canicultura, e houve quem nesse meio tudo tenha feito para tentar esmagar-me. Mas continuo a batalhar. Não quero que nem mais uma criança, nem mais um humano morra devido ao ataque de um cão.

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  10. Outra coisa: quando vieres ao Burgo, vem visitar-me; além de pormos uma longa conversa em dia, os meus Serras gostarão muito de te conhecer... Palavra!

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  11. Muita emoção Manuela, e alguma contradição. Será melhor discutirmos isto com um cafézinho e um pastel de nata. Beijinhos.

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